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5 Princípios do Reiki

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Escrito por Sérgio Silveira

 

Sérgio Silveira

Presidente da APRE Associação Portuguesa de Reiki Essencial e fundador da Anastácia Centro de Terapias Alternativas 

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Numa altura ou noutra, já todos ouvimos falar das cinco frases que Usui mencionou nos seus ensinamentos budistas, e as colocou, na prática, do Reiki. Os chamados princípios do Reiki, Gokai Sansho em japonês, constituem um pequeno conjunto de ensinamentos preconizados por Mikao Usui. Eles constituem os cinco princípios como uma regra de vida com a intenção de melhorar significativamente a forma como cada um relaciona consigo próprio, e com a sociedade, em geral, e com o meio ambiente. Sugerem-se estes princípios particularmente aos praticantes de Reiki, podendo dizer-se que constitui uma tarefa para toda a vida, uma vez que dificilmente alguém a conseguirá concretizar muito rapidamente.

 

A razão disto é que Usui observou que algumas pessoas após terem ficado curadas das suas doenças físicas com os tratamentos do Reiki, surgiam após algum tempo com outros problemas de saúde. Desta forma, percebeu que para que a cura física seja efetiva, a cura mental e espiritual é necessária. Os antigos praticantes de Reiki recitavam o Gokai pela manhã e à noite com os poemas do Imperador Meiji, prática esta que diferenciava os “Reikianos” dos praticantes de outras modalidades de cura.

A Gokai recitada em japonês é extremamente importante, na prática, diária do Reiki, pois, é um kotodama (Koto: palavra e Dama: Espírito) que promovem a saúde mental e em consequência, a saúde física.

Eles refletem, primeira toda a ancestral sabedoria oriental, baseada numa filosofia e numa tradição muito sólida, da qual fazem parte, normas xintoístas, budistas e taoistas e que exprimem a importância que tais povos desde sempre têm dado ao equilíbrio a parceria mente, espírito e matéria.

No início do curso de Reiki, desvalorizam-se bastante estes princípios, mas os cinco princípios provocam e estimulam a uma maior reflexão. São como enigmas espirituais que desde séculos são utilizados por Mestres Zen para ajudar os seus alunos a demarcar os limites da razão que sempre querem regular tudo com exatidão, e que na realidade tem muito pouca ideia sobre a vida. Os cinco princípios do Sistema Usui de Reiki (Usui Reiki Ryoho), não devem ser entendidos como um rígido mecanismo de regras. É um alerta de forma a questionar de maneira profunda, a nossa própria conduta e a abandonar os costumes antigos e sem sentido. O Sensei Usui acreditava que uma atitude mental positiva era um dos fatores cruciais na autocura, e que a capacidade da pessoa libertar a si mesma de preocupações, era o primeiro passo para suavizar a mente. Surgiram os cinco princípios básicos do Reiki, que agora iremos falar. Kyo dake wa que significa “Só por hoje”.

 

“Kansha shite” traduzido a letra significa “sou grato”.

Só por hoje, eu agradeço pelas minhas várias bênçãos.

 

Será que agradece diariamente tudo aquilo que recebe? Será que agradece também aquilo que no nosso ver não é bom? Mas de facto são as coisas menos boas que nos fazem crescer e evoluir na vida, porque as coisas boas são óbvias e rapidamente as esquecemos. A pessoa que tudo reclama está em desarmonia com a vida. Agradecer a dádiva da vida, a família e o trabalho será sempre fundamental, aceitar que muitas vezes já têm o que precisa para viver e para ser feliz.

Não têm que reclamar pelo que não têm, mas sim agradecer por tudo o que têm recebido. A gratidão significa uma forma de reconhecimento das bênçãos divinas que obtém através de tudo o que recebe, independente do seu tamanho. Infelizmente, o ser humano só dá valor às coisas que tem depois de as perder. Simplesmente, sê grato por tudo o que a vida lhe dá. Praticar a gratidão significa ligar com a rede da vida e sustentar por ela, assim consegue a confiança. Agradeça a luz que ilumina o caminho, não obstante, deve agradecer também a escuridão que faz ver a luz. Agradeça a felicidade, pois, ela engrandece o nosso ser, não obstante, agradeça também a tristeza, pois, ela abre a alma. Agradeça os prémios, pois, são a recompensa, não esquecendo, porém, de agradecer também os obstáculos, pois, eles são o nosso desafio e a evolução.

Através da consciência e do conhecimento das energias divinas que cresce com a gratidão praticada na vida, desaparece o sentimento de estar só, e abandonado, vendo a vida como inimiga. A gratidão faz ter êxito em tudo. Com frequência ignoramos a força das energias criadoras porque ficamos presos de forma rígida à ideia de uma determinada forma de ver a felicidade. Este princípio ajuda a não cair num isolamento, e somente aquele que é consciente da união de todos, pode realmente perceber este princípio. Deve aceitar tudo o que recebe, e se aceitar de coração, mais cedo compreende que sempre vem a nós o certo e no momento oportuno. Este princípio diz que o agradecimento daquilo que recebe faz parte de um crescimento mental e espiritual, que ajuda a aceitar de uma forma mais tranquila, as dádivas e as provas da vida. Desta forma irá adquirir uma postura mais positiva na vida perante as dificuldades diárias, pois, irá compreender que essas mesmas dificuldades, fazem parte de uma aprendizagem e crescimento que deve ter sobre a vida, e agradecer também que possa aprender com essa experiência.

 

“Gyo-o hage me” traduzido significa “trabalho arduamente”.

Só por hoje, eu trabalharei honestamente.

 

Trabalhar honestamente não significa somente ser honesto com o patrão, com o cliente, etc.. Trabalhar honestamente também significa fazer aquilo que se gosta. Se não faz aquilo que gosta, assim o seu trabalho não fluí, não progride, até que acabe por ser um simples meio de sustento. Este preceito lembra a necessidade urgente de ser honesto connosco mesmo, antes de tudo. Qualidade esta, tão esquecida pela humanidade e que provocou um distanciamento enorme, daquilo a que a nossa alma se propõe fazer na vida, e que só pode ser lembrado quando olha com carinho e atenção para tudo o que o coração pede. Desta forma, passa a realizar o nosso propósito na Terra. Esta frase pode ser traduzida também como “trabalha muito” ou “faz os teus deveres”. Para poder ser capaz de entender está frase corretamente, será de grande ajuda conhecer a cultura e o pensamento da sociedade Japonesa.

Deve saber que a sociedade Japonesa está estruturada num sistema hierárquico complexo, e na hierarquia os empregos são distribuídos de acordo com o estatuto social do indivíduo. A sociedade asiática é coletiva, mais do que individual, e para que o grupo sobreviva, o indivíduo deve sacrificar-se, sem hesitar. De uma forma geral na sociedade japonesa, a pessoa faz o seu trabalho e o seu dever sem reclamar disso. É um conceito enraizado nessa cultura, em que o indivíduo tem o dever moral de ser honesto naquilo que faz.

Do ponto de vista real, uma missão espiritual só se poderá solidificar de facto a partir de um trabalho árduo sobre si mesmo, ajuda a superar resistências e a conhecer as nossas próprias forças. Este trabalho não é nenhum serviço imposto por ninguém, pois, é necessário porque de outro modo, os velhos e já aceites padrões de comportamento de medo, ódio, separação, engano e irresponsabilidade, tomam novamente o controlo sobre o rumo das vidas e destroem todo o sucesso curativo que alcançamos com esforço baseado na atenção, e na ação plena de entrega e de sentido no trabalho. Fazer as suas obrigações, significa realizar um esforço sério para percorrer o caminho até ao divino, somente com a constância que se pode resolver e harmonizar de uma forma duradoura, os bloqueios que impedem as pessoas de se ligarem com o Divino.

A espiritualidade somente tem sentido quando é praticada na vida quotidiana, de forma a enriquecer o bem-estar de todos. Se não compromete seriamente com o seu trabalho, se não trabalha corretamente connosco próprio, então corre o risco de não poder encontrar a nós mesmos durante a jornada, nem caminhar o próprio caminho. Seguindo este princípio, logo pode soltar as rédeas do nosso talento inapto e desenvolver os pontos fortes para que todos tirem proveito.

 

“Okaru-na” traduzido para português significa “sou calmo”.

Só por hoje, eu não me aborreço.

 

O aborrecimento traz consigo um grande desgaste energético. Mais tarde ou mais cedo acaba por aborrecer os outros. Aqui, a meditação diária sobre esta frase, leva a trabalhar as mágoas, os ressentimentos, as raivas e fúrias que se alojam em si e que trazem tanto mal-estar físico e espiritual. Abalámo-nos por tão pouco, quando estamos entregues aos desafios do ego e às disputas que ele nos impõe. Através deste preceito libertar-te da desconfiança e do medo e deve amar incondicionalmente. Absorva esta frase como o lema do nosso dia a dia, e seja mais compreensivo e tolerante com o próximo. As emoções do amor saem do corpo como energias coloridas e alegres, a raiva como nuvens negras que atingem tudo, contaminando tudo o que nos rodeia, pois, zangados e intolerantes sentindo rancor e raiva, podemos ter a certeza de que o maior prejudicado será a própria pessoa. Este princípio incite-nos a libertar os sentimentos de raiva, rancor e de conflitos e é para muitos o mais difícil dos cinco princípios. Quase todos reconhecemos que o sentimento de raiva é negativo, que destrói e deixa exaustos, além de ser um sintoma de falta de autocontrolo. Assim sendo faz sentido aprender a controlar essa raiva e a negociar soluções sensatas para os conflitos. Um sentimento de raiva perante as injustiças do mundo pode parecer aceitável, mas uma vez que temos presente que, no fundo, pouco mudará ou altera. Seria mais útil tentar emendar o que está mal através de uma ação e de um diálogo construtivo. Os princípios do Reiki incentivam a viver um dia de cada vez, algo que deve ter em mente. Uma das melhores ajudas que pode prestar a si mesmo é recusar dar passagens a sentimentos de raiva e cólera. Se o tentar hoje e amanhã e depois, é mais plausível que a vida passe a reger-se por ações positivas, pelo diálogo, pelo compromisso e pela negociação. A raiva só serve para limitar a perceção, a compreensão e o desenvolvimento. O caminho é longo, mas vale o esforço para crescer na luz. Seja consciente dessas interações, pois, a raiva contagia. Lembre-se que nenhum homem é nosso amigo ou inimigo, são todos os nossos mestres da vida e deve respeitá-los com humildade.

Isto não quer dizer que nunca mais se zangue. Às vezes, a zanga é a única reação apropriada no momento. Pode ser boa para nós e pode realmente ser boa para a pessoa a quem a zanga é direcionada. Às vezes, a outra pessoa precisa de ser abanado para sair da sua inconsciência. Às vezes, é bom para ver que ainda somos tão humanos e nervosos como sempre o fomos. Assim não faz um mau julgamento do nosso estado de espírito – mesmo que isso possa doer. Este princípio ocupa-se do poder da agressão, quer dizer, a energia vital que também se encontra no chakra raiz.

 

"Hito ni shinsetsu ni” significa “sou bondoso”.

Só por hoje, eu serei bondoso para com o meu próximo, e para com todos os seres vivos.

 

Isto não significa só ajudar a velhinha a atravessar a rua, ser simpático com os vizinhos, etc. O quarto princípio consiste em aprender a honrar os pais, os mais velhos, os professores e Mestres. Os nossos pais deram a vida, pelo que sem eles não estariam neste mundo, físico, mental ou emocionalmente. O quarto princípio incentiva a aprender com os pais e com os mais idosos, em geral, respeitando a sua sabedoria. Com eles podem aprender não só a desenvolver as qualidades que apreciamos e respeitamos neles, como também a modificar as características que realmente não gostamos. Em relação aos seres vivos este princípio consiste em respeitar a natureza, na qual se inclui todos os seres. Todos temos que consciencializar que somos uma energia coletiva de uma única fonte, e quando desrespeitamos o semelhante, a natureza, os outros seres e o planeta, estamos a desrespeitar e a causar danos a nós próprios e quebramos a harmonia natural instaurada pelas forças criativas do universo, com certeza, pagar por isso, mais cedo ou mais tarde.

Nesta abordagem não deve matar qualquer ser vivo, com a exceção na perspetiva da alimentação. Mesmo em relação ao mais minúsculo dos insetos, por exemplo, a mosca, em vez de a matar, deve afugentá-la abrindo uma janela ou porta. Este minúsculo, mas “chato” inseto têm a sua função neste universo e por este motivo deve ser respeitado. A bondade não passa somente pelas palavras, mas sim pelas ações. Aplicar este princípio na vida, neste mundo tão conturbado será muito difícil, mas não impossível. Ajudar o próximo, mesmo que esse possa ser aquele que não gostamos, é a ferramenta essencial para unir os opostos, e chama-se a isso Bondade ou Gratidão.

Este princípio de vida leva a reconhecer e honrar o divino em todas as suas formas. Se aprender a perceber em todos a força criadora e a despertar a sua obra, não estará adormecido para perceber o momento de reconhecer em outros espelhos, isto é, naquele que acende em nós a chama da vida. Em última instância, estamos todos juntos, sentados no mesmo barco. O desafio de praticar a bondade humana é ser afetuosa com todos, é talvez o mais difícil de todos os desafios. Ser bondoso com todos pode significar um sorriso ou um abraço no momento adequado, uma palavra de alento ou uma ação realizada com a cabeça e o coração. Da mesma maneira, o amor pode ser também a consequência, a claridade e a força com quem alguém segura uma pessoa que quer correr às cegas para a ruína. A bondade está na espera e na paciência desse equilíbrio e que possa ser, uma autêntica decisão para prosseguir o seu caminho.

 

 “Shinpai suna” traduzido do japonês para português significa “Confio”.

Só por hoje, eu não me preocupo.

 

Também a preocupação excessiva traz um grande desgaste energético, e se têm um problema não será pela preocupação que o resolve mais depressa, pelo contrário tanto preocupa-se que acaba por atrair o que o preocupa. O quinto princípio lembra que deve deixar de preocupar em demasia, pois, as nossas preocupações trazem consigo o medo e bloqueiam as emoções e a esperança. Ajuda mais pensar no que se pode fazer, do que naquilo que não é possível fazer. Se cada um libertar pelo menos de algumas das suas preocupações, notará que vai estar cada vez mais calmo.

Pensando nesta frase vai aprender a romper os laços com os conceitos preestabelecidos de dor e angústia. Devagar damos o tempo certo para cada pessoa e para cada situação que temos que enfrentar na vida. Libertar a ansiedade e respirar em paz. Com respeito as preocupações, deve proceder de maneira semelhante ao que foi dito em relação à raiva. Quando está preocupado ou ansioso, o corpo produz um aumento de adrenalina, energia necessária a todos os atos da vida. No entanto, o atual modo de vida faz sentir necessidade de utilizar essa energia, que acaba por fazer mais mal, do que bem ao nosso corpo. As consequências a curto e longo prazo das preocupações e a ansiedade passam por falta de ar, dores de cabeça e nas costas, “stress” crónico, fadiga, problemas digestivos e artérias bloqueadas. Por isso veja a quantidade de problemas que pode evitar só por não se preocupar ou estar ansioso. Será que também se preocupar todos os dias com um determinado problema, o vai conseguir resolver mais depressa? Claro que não, pois, muitas soluções finais dos problemas nem sempre passam por si ou dependem da nossa intervenção, então, porque é que preocupamos? Um pai, por exemplo, que fica acordado até as quatro horas da madrugada a pensar que a filha que saiu para se divertir possa ser assaltada ou sofrer um acidente. O facto é que na maioria das vezes nada ocorre e ele sofreu desnecessariamente. Por outro lado, se alguma das situações citadas viesse a acontecer, ocorreria a duplicação do sofrimento por parte do pai. Ele sofreria antes, pela preocupação, e depois, com o ocorrido.

As preocupações põem em evidência que, em geral, uma parte do subconsciente acredita perder o controlo sobre coisas essenciais necessárias à sobrevivência, ou para a conservação de recursos importantes. Em outras palavras, o subconsciente crê que algo muito perigoso, doloroso ou de algum modo incómodo acontecerá e, não sabe o que fazer. Pode resolver este problema se souber exatamente o que é que teme. Então está na hora de aprender que, se não preocupar em demasia, ajuda-o a libertar dos problemas físicos, emocionais e mentais e fará pleno uso das suas energias para outros objetivos mais importantes, ou simplesmente para aperceber que, a solução não esta nas suas mãos. As preocupações estão sempre atreladas a um certo tipo de problema, sofrimento ou de alguma situação sobre a qual não têm controlo. Logo, quando uma pessoa se preocupa, ela está a fazer nada mais do que sofrer por antecipação. Porém, o acontecimento negativo, pode nunca chegar a acontecer. E se não acontece, a pessoa preocupou-se em vão e sofreu desnecessariamente. O facto de preocupar não adiciona absolutamente nada à segurança, nem impede que o acontecimento negativo ocorra. Quando se preocupa esta a gastar energia criadora com o problema, dando-lhe ainda mais força.

 

Em conclusão

Os cinco princípios do reiki não são mandamentos, mas sim, simples ajudas para uma mudança ética e positiva na sua vida. Se tivesse que catalogar o Reiki, de alguma forma diria que é uma filosofia. O Reiki é no fundo, uma forma de estar e de ser e, passa por mais do que a simples imposição de mãos. Reiki é, como o seu nome diz, energia universal, energia essa que pode ser aproveitada da melhor forma ou não, conscientemente ou não. Os princípios do Reiki, embora não tendo sido criados por Usui, eram recitados pelo mesmo no início de todas as reuniões porque ele acreditava que mudam a mente e o corpo. Muito se pode dizer acerca dos princípios do Reiki, mas só a prática pode elucidar acerca do seu conteúdo e valor.

 

 
 
 
 
 
 

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